- Olá, boa noite. Quem é?
- Sou eu... o teu coração.
- O meu coração, a esta hora? O que queres?
- Venho bater-te com to
da a força. Tens andado a exceder-te. Não pode ser. Não sabes viver em meio termo?- Não. Não sei... A esta hora. Porra. Estava a dormir tão bem...
- Como sabes, chego sempre sem avisar. Toma. Tum tum tum tum tum.
- Pára, porra. Pára. O que queres? Diz-me.
- Ou abrandas o teu ritmo ou acabas como muitos... sete palmos abaixo da terra. Tás disposto a partir?
- Mas porquê agora? Tenho andado sossegado, com pouco stress, descansado, calmo.
- Achas? O que deixas de dormir, o que te desgastas a correr, o que te desgastas a pensar de mais?
- Porra, só por isso? Adoro correr, não gosto de dormir. Acho que descanso o que tenho de descansar.
- Ah é verdade. Tens que mandar vir a outra metade do teu coração.
- A outra metade?
- Sim, a que deixaste para trás. Já te esqueceste? Por isso é que andamos a funcionar mal. Diz-lhe para te mandar. Ou então vai buscá-la...
- A outra metade vai ficar sempre lá, tu sabes. Tens de te habituar a trabalhar sozinho. A outra parte de mim... está longe. Na outra margem.
- Então, vamos fazer uma coisa: diz-lhe para a guardar sempre junto ao peito. E repete-lhe aquilo que lhe queres dizer...
- Foca... nada sempre junto à margem. Sempre pertinho... «Agarra-te sempre a mim». Nunca partas. Nunca, ok?












