quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tão-somente...

Diz-me como está o mar. Diz-me se revolto. Diz-me que me revolto. Diz-me a raiva. Diz-me os olhos fechados. O corpo escondido. Diz-me dos cabelos. Diz-me dos dedos nos cabelos. Diz-me do abraço pela cintura. A nuca descoberta. Diz-me do morder. Diz-me a pele. Diz-me do esfregar. Do acariciar, diz-me. Diz-me do seio tomado. Nas mãos, os seios. Diz-me dos lábios. Fortes e fracos. Diz-me dos beijos corpo afora. Diz-me das pernas que se abrem. Diz-me da demora.

Olhar. Ponta da língua. Diz-me do tango. Diz-me do ritmo dos sexos. Compassos desacertados. Diz-me da vontade. Diz-me do cheiro. Do suor. Diz-me do fogo. Diz-me da insuportabilidade do momento. Sustido. Diz-me que recomeças. Diz-me que não me obedeces. Diz-me que não posso dizer. Diz-me que sou somente. Diz. Soletra o desejo: reúne as sílabas: diz o meu nome. . . . . é num murmúrio que me venho.

Sou homem e mulher. Somos «juntos». Estamos «juntos». Somos talvez um «tão-somente»... Não sabes o que significa? É isso mesmo. Ninguém sabe. Vale para tudo...

Quão difícil é pegar em «cacos» e construir novamente uma vida aventurada.

Não. Não tenhas medo. Só tens de te deixar ir.

O corpo pede corpo. O olhar pede olhar. A vida pede para a deixarem viver... tão-somente!!!

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